17/11 – A Lyra do Boca do Inferno celebra Gregório de Matos com música antiga e apresentações gratuitas
Camerata Lieto resgata a musicalidade de Gregório de Matos em série de palestras-concerto gratuitas no Rio
Projeto celebra os 390 anos de nascimento e os 330 anos de morte do poeta barroco, revelando sua relação com a música, os instrumentos e as tradições sonoras do século XVII. Apresentações acontecem na UNIRIO (17/11), no Centro Cultural Justiça Federal (11/12) e no Centro de Referência da Música Carioca Artur da Távola (13/12), todas com entradas gratuitas.
Em 2026, a literatura brasileira celebra duas importantes efemérides de Gregório de Matos Guerra (1636-1696): os 390 anos de seu nascimento e os 330 anos de sua morte. Conhecido como Boca do Inferno, o poeta baiano, um dos nomes mais emblemáticos do Barroco brasileiro, ganha uma nova perspectiva artística e histórica com o projeto A Lyra do Boca do Inferno – Melodias e versos de Gregório de Matos (1636-1696), que propõe um mergulho na dimensão musical de sua obra.
Realizada pela Camerata Lieto, a iniciativa apresenta ao público uma pesquisa que aproxima literatura, música e história, recuperando práticas musicais que faziam parte do universo cultural do poeta no século XVII. O resultado será apresentado em três palestras-concerto gratuitas, em diferentes espaços culturais e acadêmicos do Rio de Janeiro, nos meses de novembro e dezembro.
Embora amplamente estudado nas escolas e universidades, Gregório de Matos ainda é pouco conhecido em sua relação com a música. Além de poeta, era um exímio tocador de guitarra barroca e estava inserido em uma sociedade na qual poesia, canto, dança e prática instrumental conviviam de maneira intensa. Em seus versos, fazia referências a instrumentos musicais, danças e canções populares que circulavam pela Península Ibérica naquele período.
Foi a partir dessas referências que nasceu a pesquisa. Ao investigar os poemas de Gregório e consultar manuscritos musicais da época, os pesquisadores buscaram identificar repertórios, melodias e tradições que possivelmente faziam parte de seu cotidiano e serviam de inspiração para sua produção literária.
Mais do que encontrar músicas que pudessem acompanhar seus poemas, o trabalho procura compreender quais composições e repertórios o poeta conhecia, como essas referências circulavam e de que maneira eram incorporadas, transformadas e até parodiadas em seus versos.
A investigação também revela as conexões culturais e musicais entre Espanha, Portugal e Brasil no século XVII, período em que a circulação de repertórios e práticas artísticas estabelecia uma intensa rede de intercâmbio entre a metrópole e a colônia.
Música antiga ganha vida em apresentação histórica
O resultado da pesquisa será apresentado pela Camerata Lieto, em um formato que une palestra e concerto, aproximando o conhecimento acadêmico da experiência musical. Para recriar a

